A transformação digital, acelerada na pandemia e as a aplicação de conceitos ágeis poderão permitir que as empresas destravem US$ 5,4 trilhões em valor adicionado à economia global, de acordo com estudo da Accenture.

Uma pesquisa global realizada com 1.100 executivos de C-level e dados financeiros com validação externa analisou o impacto da maturidade digital dos negócios. Quanto mais maduras, maior a adoção de tecnologias exponenciais como inteligência artificial (IA), nuvem e data analytics.

Segundo a Accenture, cerca de 7% das empresas do mundo praticamente dobrou a sua eficiência e aumentou em três vezes a lucratividade em relação aos seus concorrentes em plena recessão da pandemia. No Brasil, essas empresas representaram 2% do total, mas a estimativa é que cheguem a 42% até 2023, um crescimento de 21 vezes. O estudo chama essas empresas de “prontas para o futuro

“Com as incertezas atuais passamos a valorizar ainda mais as formas diferentes e ágeis de fazer as coisas, reforçando a ideia de que as operações podem ser verdadeiras catalisadoras para a vantagem competitiva, valor transformacional e crescimento”, afirma Manish Sharma, diretor geral da Accenture Operations. “Mas isso só dá certo quando as empresas pensam grande – transformando a maneira como o trabalho é realizado em termos de tecnologia, processos e pessoas.”

Alex Colcher, líder da Accenture Operations na América Latina, completa: “As organizações que estão preparadas para o futuro sabem que o importante é maximizar os talentos, já que estamos falando de uma era que o fator humano é a chave para o sucesso. Elas estão impulsionando o futuro por meio da reformulação dos modelos operacionais, de forma a capitalizar a criatividade humana e a inteligência das máquinas para transformar a maneira como as pessoas trabalham e fazem negócios.”

No Brasil, cloud e inteligência artificial estão mais adiantadas na transformação digital

No Brasil, o estudo contou com a participação de 50 empresas. Ele mostrou que a computação em nuvem e a inteligência artificial são as frentes mais avançadas na transformação digital por aqui. Ao todo, 74% das empresas no Brasil usam a infraestrutura na nuvem em larga escala, enquanto 64% também buscam novas áreas para escalonar e maximizar valor.

Em inteligência artificial, 40% das organizações no Brasil já adotaram totalmente os recursos de IA e ciência de dados, 20 vezes mais que os 2% três anos atrás. Além disso, 24% das organizações planejam expandir suas práticas de inteligência artificial até 2023.

Na automação em escala, apenas 2% das organizações já conquistaram a maturidade nas operações. Um terço (36%) espera alcançá-la até 2023.

Ao avaliar o que a Accenture chama de “valor transformacional” – um conceito que leva em consideração o desempenho financeiro e a experiência diferenciada oferecida pela companhia – a pesquisa descobriu que os esforços de progressão para o futuro alcançaram ganhos médios de eficiência de 13,1% e aumento na lucratividade da ordem de 6,4%.

No Brasil, as organizações que avançaram no nível de maturidade ao longo dos últimos três anos relataram melhorias na experiência do cliente (78%), eficiência operacional (68%), velocidade de inovação em produtos e serviços (64%), prazo para comercialização (58%), parcerias dentro do ecossistema (56%), valor de negócios gerado a partir de dados (54%), mix de talentos de funcionários e esforços de requalificação (50%) e engajamento e retenção de funcionários (40%).

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Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.