Com a pandemia de covid-19 e as medidas de isolamento social, o processo de transformação dos modelos de negócio estão se acelerando. Isto é uma verdade principalmente para o varejo, já que o isolamento dificulta a experiência de compra física.

Um estudo recente da McKinsey apontou que uma das tendências que estamos vendo no mundo é a emergência dos modelos de negócio contact free, ou seja, nos quais a interação com o cliente é mais virtual e menos física. O que se está vendo nos países em que o surto de covid-19 acabou ou foi controlado é que as pessoas, por exemplo, não estão voltando ao cinema.

A Kantar, em sua pesquisa Barômetro covid-19, confirma esta tendência no Brasil. O estudo apontou que 34% dos consumidores brasileiros estão aumentando suas compras online, e 46% estão reduzindo as compras físicas. E mais, 17% dos brasileiros fizeram sua primeira compra de alimentos pela internet na vida por causa da pandemia.

Ana Costa, diretora de Acadêmico e Conteúdo da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv), avalia que as mudanças de comportamento do consumidor vieram para ficar.

Outra questão que deixou de ser uma pauta paralela para os pequenos e até os médios varejistas é a questão da presença da tecnologia no negócio como um todo. Ter uma operação no e-commerce agora é uma questão de sobrevivência. Facilitar o pagamento com auto atendimento ou dar autonomia para que os vendedores o façam, dar agilidade na consulta de estoque, viabilizar ações do tipo compra no físico e recebe em casa e vice-versa, ser atendido virtualmente pelo seu vendedor, ou outras formas quaisquer que possam facilitar a vida do cliente na hora da compra vieram para ficar neste novo varejo

Ana Costa, diretora da Abiesv

Neste cenário, as empresas que já estavam se tornando digitais antes da pandemia sairam com vantagem. É o que afirma Eduardo Kyrillos, CEO do grupo Icomm, dono dos e-commerces Shop2gether e OQVestir e do marketplace (2)Collab.

O processo de transformação digital nas empresas é um processo longo, que demanda uma mudança de mentalidade no caso das empresas mais antigas, maiores e mais convencionais, e isso não se faz da noite para o dia.

Eduardo Kyrillos, CEO da Icomm

Ou seja, a transformação digital do varejo veio para ficar. Não há outra saída para os varejistas, não importa qual o tamanho, fora do digital commerce.

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Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.