O Nubank anunciou a aquisição da corretora Easynvest, uma das maiores do mercado brasileiro, com 1,5 milhão de clientes. Com esta operação, a fintech avança no terreno da XP, que por sua vez tem direcionado suas aquisições recentes para a construção de um ecossistema bancário.

“Nos últimos sete anos, temos desafiado o status quo para criar uma nova geração de serviços na América Latina. Já libertamos 30 milhões de pessoas da complexidade do sistema financeiro por meio de serviços e produtos práticos, convenientes e, principalmente, totalmente focados no cliente. O nosso desejo é fazer isso também no setor de investimentos”, afirma David Vélez, fundador e CEO do Nubank. 

“O mercado de investimentos no Brasil ainda é muito complexo, com produtos caros e muitas distorções. Quanto menos favorecido o cliente, piores são as opções de investimentos. Vamos solucionar isso, replicando o modelo Nubank de levar simplicidade e eficiência para as pessoas, usando tecnologia e difundindo o nosso valor de foco total no cliente. E encontramos na Easynvest um parceiro que compartilha dos mesmos valores e do propósito de democratizar o acesso aos serviços financeiros”, complementa Vélez. 

“Nosso principal objetivo sempre foi promover o acesso das pessoas a investimentos, para que pudessem ter o maior rendimento de seu dinheiro. Agora com o Nubank, poderemos potencializar esse propósito e levar os serviços para ainda mais pessoas no Brasil e América Latina”, diz Fernando Miranda, CEO da Easynvest. 

O número de investidores pessoa física aumentou 76% entre dezembro do ano passado e agosto deste ano e está quase em 3 milhões, segundo dados da B3. Além disso, estimativas do setor apontam que o volume de ativo sob custódia pode passar de R$ 3 trilhões em 2020 para mais de R$ 5 trilhões em 2025. 

No primeiro momento as duas plataformas permanecem independentes. Um grupo de trabalho será formado para planejar os próximos passos de integração dos serviços, a ser iniciada após aprovação dos reguladores – a compra da Easynvest será submetida ao Banco Central e ao CADE. 

Esta é a terceira aquisição do Nubank em 2020. O banco digital comprou a consultoria de tecnologia Plataformatec no começo do ano e adquiriu a empresa americana de engenharia de software Cognitect dois meses atrás. Nesses dois casos, tratava-se de operações de acqui-hiring, nas quais o foco foi incorporar as equipes das adquiridas ao Nubank.

Fundador do Nubank já recusou investimento na XP

Em 2012, quando a XP procurava um investidor para crescer, bateu às portas do fundo Sequoia. À época, o responsável por avaliar o investimento foi David Velez, que anos depois seria o fundador do Nubank. Velez avaliou a XP à época em R$ 640 milhões, e os fundadores da XP não concordaram. A empresa acabou captando investimento da General Atlantic.

O episódio é narrado no livro Na Raça, que conta a história de Guilherme Benchimol. Chega a ser curioso que oito anos depois Benchimol e Velez estejam novamente em lados opostos, desta vez como concorrentes.

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Crédito da foto: blog do Nubank

Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.