A plataforma de ingressos Ingresse adquiriu a startup de relacionamentos Poppin, que recebeu um de seus investimentos ao participar do programa Shark Tank Brasil. Trata-se de uma operação de acqui-hiring, na qual o foco da aquisição é absorver a equipe e o conhecimento em experiência do usuário e desenvolvimento de produto, além de toda a tecnologia do aplicativo que conta com 700 mil usuários.

Operações semelhantes de acqui-hiring foram realizadas este ano pelo Nubank. Em janeiro, por exemplo, a fintech adquiriu a consultoria de desenvolvimento ágil Plataformatec, com o mesmo objetivo.

Com lançamento em junho de 2016, pelos empreendedores Guilherme Ebisui e Filipe Santos, o dating app gerou mais de 3 milhões de combinações e levantou mais de R$ 3,5 milhões em rodadas de investimento, realizadas por fundos como Duxx Investimentos, ACE e Eclipseon. Além disso, a plataforma participou do programa Shark Tank Brasil, em 2018, despertando interesse de Farani e Appolinário, que investiram juntos R$ 900 mil.

“Me lembro que no dia da negociação eles reforçaram bastante que procuravam smart money e não apenas um cheque. A primeira informação que eles trouxeram foi que somente 0,5% dos matches viravam encontros na vida real. O Poppin foi desenvolvido para solucionar este problema, já que os usuários não precisam marcar o encontro, basta confirmar presença no evento de escolha e dar um like em alguém que também está confirmado. Pronto: o “date” já está marcado. Apostei neles por conta da consciência de negócios que eles expressaram, de priorizar uma nova visão de mercado, de valorizar a questão do big data, focar no early stage em crescimento, produto, para conseguir primeiro definir o product market fit (grau de satisfação do consumidor de um mercado específico) e só então focar em monetização”, comenta Camila Farani.

A junção entre as duas companhias foi um movimento estratégico, pois enquanto a Ingresse sempre atuou de forma incisiva no setor de venda de ingressos, oferecendo tecnologia e praticidade a produtores de eventos e compradores, o Poppin tinha como foco a geração de experiências e interações em um contexto parecido, já que atuava diretamente com festas e baladas. “É interessante notar que as duas empresas trilharam caminhos distintos dentro de um mesmo mercado. Desse modo, a fusão das áreas de atuação foi algo natural”, explica Guilherme Ebisui.

Gabriel Benarrós, CEO e fundador da Ingresse, já conhecia o trabalho dos sócios do Poppin. Desde cedo, fizeram parcerias comerciais e discutiam o mercado. “Ao acompanhar o desenvolvimento da empresa, desenvolvi admiração pelo Guilherme e Filipe”, explica. O empreendedor complementa que a aquisição de talentos foi o principal motivador do acqui-hiring. “O time em particular tem um olho para produto muito fora da curva, capacidade de conectar feedback de usuários com desenvolvimento, além de um time de programação muito coeso e azeitado. Isso permitiu que o Poppin se tornasse o maior app de dating brasileiro”, pontua.

Ainda de acordo com Benarrós, como o Poppin não tinha um modelo de monetização tradicional, o time desenvolveu metodologias sofisticadas para então entender o comportamento de seus usuários. “Esperamos que o time do Poppin assuma funções chave dentro da Ingresse, principalmente relacionadas a produto e inovação, e que possamos aplicar essas metodologias ao mercado de eventos”, explica. Ele ainda complementa que o trabalho “a quatro mãos” já rendeu uma novidade na Ingresse que pode ser lançada ainda em 2020. “Em breve, estaremos publicando novas funções relacionadas a consumo de alimentos e bebidas via app que já adotam vários conceitos construídos em conjunto”

“A aquisição de empresas com foco na absorção de times é algo comum em outros lugares, como Estados Unidos e Europa, visto que expandir equipes de alta performance é sempre algo desafiador no mercado de tecnologia”, analisa Filipe Santos, fundador do Poppin. Mesmo em uma pandemia que afetou diretamente o setor de eventos, a Ingresse realizou o movimento por entender que há muitas possibilidades a serem exploradas junto ao consumidor final e acreditar que a retomada do segmento será forte. “No exterior, é muito comum empresas adquirirem “times” pelo seu talento. Isso se torna mais comum em tecnologia, pois nesse mercado o grande diferencial entre as empresas, mais do que nunca, é o capital humano”, finaliza Benarrós.

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Crédito da foto: reprodução YouTube Shark Tank Brasil

Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.