Nesta segunda-feira funcionários do Google fundaram o primeiro sindicato que representará os funcionários da empresa. O movimento, considerado raro no Vale do Silício, acontece semanas depois de o Google demitir uma liderança da pesquisa sobre ética e inteligência artificial da empresa.

Timnit Gebru, a pesquisadora sobre ética e inteligência artificial do Google, foi demitida após circular um memorando interno acusando a empresa se “silenciar vozes marginalizadas”. Colegas de Gebru acusam a empresa de racismo e censura com esta demissão, de acordo com a BBC.

A decisão de fundar um sindicato vem depois de vários episódios como greves e manifestações de funcionários da empresa. Em dezembro último, a US National Labor Relations Board (NLRB), agência do governo americano que regula relações de trabalho, acusou o Google de demitir funcionários por práticas sindicais em novembro de 2019.

Na ocasião, quatro pessoas foram demitidas por, oficialmente, colocar em risco práticas de segurança da empresa. Os funcionários, contudo, acusaram o Google de demiti-los por “falarem abertamente” das políticas, ou seja, por criticá-las.

O Alphabet Workers Union tem o suporte da Communications Workers of America (CWA), uma espécie de central sindical que reune trabalhadores das indústrias de telecomunicações, mídia e tecnologia. O sindicato dos funcionários do Google é parte do projeto CODE-CWA, que busca organizar sindicatos dos trabalhadores das indústrias de tecnologia, games e digital.

“De lutar contra a política de ‘nomes reais’, a se opor ao Projeto Maven, a protestar contra os pagamentos notórios e multimilionários que foram dados a executivos que cometeram assédio sexual, vimos em primeira mão que a Alphabet reage quando agimos coletivamente. Nosso novo sindicato fornece uma estrutura sustentável para garantir que nossos valores compartilhados como funcionários da Alphabet sejam respeitados mesmo depois que as manchetes desaparecerem”, declarou Nicki Anselmo, um dos fundadores do sindicato, no comunicado à imprensa (declaração traduzida pelo Google Translate).

O press release de lançamento do sindicato afirma que “O Google começou como uma pequena empresa de tecnologia com o mantra “Don’t Be Evil”, mas rapidamente se tornou uma das empresas mais influentes do mundo”. E, neste novo cenário, “Mesmo assim, metade dos funcionários do Google nas empresas Alphabet são contratados como TVCs – temporários, fornecedores ou contratados – sem os benefícios oferecidos aos funcionários em tempo integral. Executivos receberam dezenas de milhões de dólares em pacotes de demissão depois de documentado assédio sexual contra colegas Googlers. E a empresa assumiu contratos não éticos com o governo, como drones direcionados aos militares, mas manteve a natureza dessa tecnologia em segredo até mesmo para os Googlers que trabalham nesses projetos. Ele removeu seu lema anterior de sua declaração de missão.” (trecho traduzido pelo Google Translate)

Ao Techcrunch, a diretora de Operações de Pessoas do Google, Kara Silverstein, declarou por comunicado: “Sempre trabalhamos muito para criar um ambiente de trabalho que dê suporte e recompensa para nossa força de trabalho. É claro que nossos funcionários protegeram os direitos trabalhistas que apoiamos. Mas, como sempre fizemos, continuaremos nos envolvendo diretamente com todos os nossos funcionários.” (declaração traduzida pelo Google Translate).

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Crédito da foto: Divulgação Google

Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.