Provavelmente você já foi impactado por conteúdos de alguma plataforma da NZN. Você pode receber a newsletter diária do The Brief, ter lido notícias de tecnologia no Tecmundo, ou ainda ter sido impactado por informações bizarras no mundo pelo Mega Curioso. Não se espante, estamos falando de plataformas que somam 22 milhões de leitores por mês.

De acordo com Sobhan Daliry, CEO da NZN, o segredo está na forma como a empresa “produtizou” a produção de conteúdo. Ou seja, como aplicou conceitos e metodologias de desenvolvimento de produtos no negócio de conteúdo. “Nosso objetivo nos últimos cinco anos foi tornar processo de produção de conteúdo escalável e 10 x mais eficiente”, afirmou.

Este processo envolveu a transformação da NZN em uma típica organização exponencial, especialmente no aspecto de construção de uma comunidade e na aplicação de conceitos de crowdsourcing. A entrega deste conceito se deu pela criação da Nexperts, a comunidade de criadores de conteúdo que abastece as várias plataformas e projetos da empresa.

“Nossos experts são pessoas que gostam muito do tema sobre os quais escrevem, e por isso seus conteúdos geram muito engajamento”, afirma Daliry. Ele conta que há vários profissionais que pivotaram suas carreiras graças às oportunidades abertas na Nexperts.

A outra ponta foi a aplicação de data science em um nível altamente sofisticado. O time de análise preditiva da NZN consegue prever tendências da audiência com tempo suficiente para que o editor do canal paute os experts, o conteúdo seja produzido e entregue a tempo de “surfar a onda” da pauta do momento. Sabe aquele manual de conceitos básicos de SEO que você baixa de graça na internet? Esqueça, o jogo aqui é outro.

Com isso, a criação de um novo canal na NZN demanda apenas a contratação de um único profissional: o editor. Este é uma espécie de jornalista 2.0, alguém com competências tanto de interpretação dos insights do time de dados quanto do tema e da linguagem do canal. “Este editor define a estratégia da vertical, tanto no nível editorial quanto de negócios, e planeja tanto a produção quanto a distribuição”, afirma Daliry.

Contribuiu neste processo a experiência prévia de Daliry, como head de produtos em empresas como Peixe Urbano e PSafe

Qual o impacto da mudança no caixa da NZN?

Este esforço começa a render frutos agora. Daliry informa que as metas alinhadas com o investidor são de melhoria do EBITDA, que precisa crescer 30% ao ano. Para 2020, esta meta foi definida no início do ano, antes do cenário de pandemia se agravar.

Mas ainda assim a empresa melhorou o seu EBITDA em 61% no ano passado.  Além disso, a empresa também cresceu em número de colaboradores. Ela contratou 43 novas pessoas e abriu a segunda edição do seu programa de estágio com vagas para estudantes de nível superior, com um aumento de quadro de funcionários de 39% em relação ao final de 2019. 

Como isso foi possível? “Não tem receita de bolo? Se tivesse eu repetia este ano”, avalia Daliry. Repetir a receita, se ela existisse, seria ótimo, afinal as metas de 2021 foram fixadas considerando o sucesso de 2020. “A meta é crescimento agressivo, o maior da história da empresa”.

“O que percebemos é que o dinheiro do consumidor não diminuiu. O que mudou foi a distribuição”, afirma Daliry. “Ou seja, o consumo planejado não aconteceu, o não planejado aconteceu”, completa. Considerando que as plataformas de conteúdo da NZN são movidas por anúncios, isto é fundamental.

Isto ajuda a fundamentar as bases do planejamento da NZN para este ano: “As agências estão com apetite, governo está com apetite de anúncios, por causa da necessidade de realizar campanhas educativas”, estima.

Claro, a inteligência de dados aplicada ao conteúdo ajudou no processo. O canal Mega Curioso realizou um trabalho voltado ao tema da saúde, que gerou dúvidas e interesses dos leitores em período de pandemia. “A nossa audiência cresceu bastante neste período, dois dígitos na média geral”, completa.

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Crédito da foto: Divulgação

Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.