As moedas digitais e os pagamentos eletrônicos estão transformando a forma como as pessoas usam o dinheiro, segundo os líderes empresariais que participaram do painel “Resetting Digital Currencies”, no Fórum Econômico Mundial, nesta quinta-feira, 28 de janeiro. Novidades como o PIX e a emissão de criptomoedas por bancos centrais são indícios deste novo momento.

“Com as moedas digitais, o dinheiro se tornou um software”, declarou Michael Casey, Chief Content Officer da CoinDesk. “Quando isso acontece, muitas das nossas suposições sobre o que é o dinheiro e como ele funciona podem precisar ser reexaminadas”, completou.

Zhu Min, chairman do National Institute of Financial Research, informou que o Banco do Povo da China, equivalente a um banco central no país, está preparando a emissão de sua própria criptomoeda, a central bank digital currency (CBDC). No momento, é uma iniciativa experimental para avaliar usabilidade, segurança e eficiência.

Tharman Shanmugaratnam, ministro sênior do governo de Singapura, lembrou que não é só a China quem está fazendo isso. “O fenômeno fundamental a que estamos respondendo é a ascensão do comércio eletrônico e a transformação de setores inteiros”, avaliou.

Shanmugaratnam também lembrou que o próprio mercado de moedas e pagamentos está em transformação, com atores privados disputando com os bancos centrais e promovendo a disrupção dos sistemas de pagamentos. O desafio regulatório passa a ser a interoperabilidade desses sistemas de pagamentos, tanto doméstica quanto internacionalmente.

Para Sara Pantuliano, diretora executiva do Overseas Development Institute, o desafio é a inclusão dos desbancarizados, que podem tanto ser excluídos quanto incluídos na economia por meio da digitalização. Para que a inclusão financeira avance, na sua avaliação, é fundamental avançar na alfabetização digital e no acesso a smartphones pela população de baixa renda.

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Crédito da foto: World Economic Forum/Pascal Bitz

Paulo Roberto Silva

Paulo Roberto Silva é jornalista e empreendedor. Graduado em Jornalismo pela ECA USP e mestre em Integração da América latina pelo PROLAM USP.